23.12.09
Quando eu te amo e eu também não bastam
Essas costumam ser as histórias mais tristes
Estamos no mesmo barco, amor, e seguimos.
Sem saber pra onde.
Enquanto isso, há toda uma vida
que acontece sem nos esperar,
o atropelo dos dias...
E o ar nos falta
em meio ao caos.
e há as palavras não ditas
e as lágrimas derramadas
depois do amor ou ao telefone,
em meio a discussões intermináveis
e despedidas até o dia seguinte
e mais uma vez amor e tudo de novo.
O tempo escorre
Pela janela do meu quarto
Enquanto espero a chuva que não vem.
Estamos no mesmo barco, amor...
Seguimos...
13.12.09
5.12.09
"Coisa de momento"
uma falsa justificativa
Pra consciência pesada
uma tentativa de alívio
Pro erro
um pretexto imbecil
Pro que não deu certo
um consolo medíocre
24.11.09
2.11.09
Nota
Melhor acreditar nisso do que na insensibilidade das pessoas
24.10.09
Sobre o corpo
É preciso compreender o corpo tal qual ele é: natural e humano
O que muitos chamam de imperfeição é natureza, não anomalia.
16.10.09
Estamos cada vez... ( versão II)
Vitor
Estamos cada vez mais longe um do outro. Eu cada vez mais perto do que te é insuportável. Você cada vez mais submerso no que pra mim é podridão. Nossas opiniões cada vez mais divergentes... Sua filosofia de vida idiota que não vai te levar a lugar nenhum e as minhas certezas que pra você são tolas demais e vão me fazer infeliz... A verdade, meu bem, é que nunca soubemos quem somos.
É que 3 anos é muito pouco tempo pra se conhecer alguém. Eu até posso te ver agora diante de mim, com seus olhos banhados de calma e a expressão quase imóvel, dizer: é uma eternidade. Mas é que o passado, o passado que não nos pertence, é um tesouro. E é sempre muito triste não podermos fazer parte dele. De tudo, só nos cabe fragmentos.
Antes de “nós” uma vida inteira de “cada um e os outros” e depois três anos. Três anos com início e fim muito bem delimitados em que não fomos nem o que éramos nem que o somos agora. A gente só não deixa de ser a gente porque estamos presos ao corpo, um amigo me disse. As palavras, na boca dele, parecem todas verdades.
Aí lembrei da rosa. Uma rosa que ganhei no dia internacional da mulher. Encontrei ontem,no dia das crianças ( que ironia, eu sei) em decomposição, irreconhecível, dentro de uma gaveta.
Fiquei olhando aqueles galhos secos, envoltos num plástico com uma coisa pegajosa dentro. Flores em decomposição não cheiram mal.
O que seria aquilo? e o que estaria fazendo na minha gaveta? Foi quando vi a etiqueta. Nela estava escrito: Para uma mulher. Alguma coisa sempre sobra. Me lembrei imediatamente...
Volta e meia imagino a gente se encontrando depois de muitos anos. Um encontro casual numa livraria ou no supermercado. O constrangimento, a vontade de conversar misturada à falta de assunto ou à pressa. Ou então um esbarrão no meio da rua e antes de uma exclamação qualquer a felicidade de rever um velho um amigo, um abraço apertado e todos os compromissos daquele dia adiados.
Semana passada, numa biblioteca,encontrei uma amiga que não via há quatro anos. Eu estava sentada numa mesa, estudando quando a vi...Alta, esguia, os cabelos louros e seu inconfundível andar de bailarina.
-Lú? (Ela se chama Luciana)
-Luuuuuuuu! -
Um abraço, as mãos no rosto de surpresa. E nós duas ali,tão as mesmas do tempo de escola e tão outras...
-Luuuu!!, como é que vc tah?
- Eu to bem e você? O que tah fazendo da vida? Continua com o balé? Eu to fazendo Letras...
- Ai, é mesmo a sua cara! Eu continuo com o balé sim. Aliás, to atrasa pra minha aula. Preciso ir, Lu. A gente tem que marcar de se ver.
- Claro, vamos marcar sim - Não podia faltar essa promessa!
Ela foi embora e eu voltei a estudar.
É sempre muito estranho reencontrar alguém que não se vê há muitos anos, principalmente quando existiu alguma relação, convívio ou intimidade... Pode parecer que nem um dia tenha se passado ou então, que se passou o dobro de anos do que realmente os separaram.De qualquer forma,quando eu te econtrar de novo daqui há 4, 20 ou 50 anos, espero ver mais que uma sombra do que um dia você foi. Espero te ver bem e feliz. Quero que me dê um abraço bem apertado e que a gente converse horas, como nos velhos tempo.
Com amor,
Lu
....................................................................................
O blog ganhou mais um selinho!! Na verdade o selo é mais pra mim:
.Quem me passou foi a Isa do A poesia nos conecta e eu repasso pra Carol do Silenciosidades e pra sumida da Rachel do Cantadouro
Muito obrigada, Isa!
13.10.09
Estamos cada vez...
É que 3 anos é muito pouco tempo pra se conhecer alguém. Até posso te ouvir, sem me contrariar explicitamente, dizendo: “é uma eternidade.” Mas é que o passado, o passado que não nos pertence, é um tesouro. E é sempre muito triste não podermos fazer parte dele. De tudo, só nos cabe fragmentos.
Antes de “nós” uma vida inteira de “cada um e os outros” e depois três anos. Três anos com início e fim muito bem delimitados em que não fomos nem o que éramos nem que o somos agora. A gente só não deixa de ser a gente porque estamos presos ao corpo, um amigo me disse. Aí eu me lembro da rosa. A rosa que ganhei no dia internacional da mulher. Encontrei ontem,no dia das crianças ( que ironia, eu sei) em decomposição, irreconhecível, dentro de uma gaveta.
Irreconhecível.
Nem o corpo resiste ao tempo. Aliás, isso é uma obviedade!
Fiquei olhando aqueles galhos secos, envoltos num plástico com uma coisa pegajosa dentro. Flores em decomposição não cheiram mal.
O que seria aquilo? e o que estaria fazendo na minha gaveta? Foi quando vi a etiqueta. Nela estava escrito: Para uma mulher. Me lembrei imediatamente..
Alguma coisa sempre sobra.
Daqui a cinquenta anos a gente vai se encontrar num ônibus circular no rio de janeiro. Eu vou achar que te conheço de algum lugar. Você pensará o mesmo. Então sorria.Sorria, eu vou me lembrar imediatamente.
HOJE VI HELENA !!!
7.10.09
Estava chamando.
-Alô. Um segundo de alívio, ainda não era ela do outro lado.
-Alô, eu poderia falar com dona Nair? – meu coração começou a acelerar de novo...
- Pode sim, quem deseja?
-É Luisa, a neta dela. – batia cada vez mais rápido - Falar isso assim em voz alta era estranho. Uma afirmação. Mas pra quem? Pros outros ou pra mim mesma? Não é isso que eu sou? Neta dela? E ela minha avó? Mais minha vó do qualquer outra! Foi ela que me deu doce fora de hora, presente fora de época. Que me contou histórias, que me defendeu na hora da bronca e do castigo. Que sempre passava na minha casa pra saber se eu já tinha jantado e tomado banho quando os meus pais ainda estavam no trabalho. Era pra casa dela que eu corria quando chovia forte. Foi ela que me deu minha primeira mesada, que me dava um dinheiro extra quando a coisa apertava.
-Um minutinho. – cada vez mais rápido.
Eu ia na casa dela todos os dias. Entrava e ia direto na geladeira pra ver se tinha “alguma coisa de gostoso”. Lá sempre tinha... A janela da sala ficava aberta pela metade quando ela estava em casa, fizesse chuva, sol, 40 ou 0 º. Uma vez ela se esqueceu de fechar a janela e saiu. Subi as escadas correndo e dei de cara com a porta trancada. Bati. Ela não veio abrir. Chamei. Nada. Chamei de novo. Nada de novo. Fiquei desesperada. Pensei que ela tivesse morrido lá dentro. “Ela nunca esquece a janela aberta” eu disse aos prantos pra vizinha. Mas um dia eu cheguei e a janela estava fechada e no seguinte também... Cadê a minha avó? Sua avó foi morar em Jacarepaguá. Como assim em Jacarepaguá??? Por que ela não tinha me falado nada? Por que ninguém me avisou?
- Pronto! – Ah... Era assim que ela atendia o telefone. Aliás, foi ela que me ensinou a telefonar. É do jeito dela também que eu coloco o sutiã: “abotôo” o fecho na frente, depois viro e coloco as alças. Quando eu era pequena, ficava me perguntando por que todas as mulheres não colocavam o sutiã desse jeito. Muito mais prático.
- Vó! - Saindo pela boca.
-Oi minha filha – Depois disso foi o de sempre. As vozes engasgadas, as lágrimas escorrendo, o choro abafado, os silêncios e a vontade calada de dizer “to morrendo de saudade”.
Ta vendo? Por isso eu preferia não ligar... E no fim, ainda teve aquela promessa de que vou aparecer.
-Tah bom vó, pode deixar que qualquer hora, eu apareço.-Mesmo sabendo que eu não posso. Afinal, ela não é minha avó. Eles podem me impedir de vê-la.-Tchau
-Tchau, minha filha.
18.9.09
12.9.09
Poema para Eliseu - Versão I
Doçura em ponto de fio
me enlaça o espírito
em mil encantos de forma pura
e desfaz-me como o mar
a um castelo de areia
É vida a desabrochar em alegria
Em simplicidade de ser.
Como o céu é azul.
Explode no vento e dá à luz
a tudo que toca.
Rara inocência
não se pode achar no coração
De um recém nascido.
A voz branda
Meladorável canto de outra terra
mais bonito que o prelúdio do amanhecer
Torna a mais vil palavra, poesia.
E enche-me o peito
até transbordá-lo.
Eliseu é meu irmão.
Meu Deus!
Meu irmão perdido, desconhecido
A quem agora encontro
É qualquer coisa que eu não sei dizer
Só sei que dá vontade de chorar.
15.8.09
Das ilusões...
2.8.09
Primeiros Passos - Versão II
a este mundo cheguei.
Que ventre me gerou
Me abrigou?
Não sei
Filha do vento
Nascida vida...
Não sei como fui parida
Que leite me sustentou?
Que colo, que
canção me embalou
os sonhos?
Não sei, não sei
Sou filha da vida.
Mas agora tenho mãe.
Mãe zelosa, dedica
de mãos e voz firmes
de mãos e voz amorosas
que me sustenta e orienta
meu passo errante
no caminho certo
Ela me diz: “Aqui não, cuidado!”
“Vamos, levanta. Fica em pé!”
“Vem, eu te seguro.”
E segura mesmo.
E segura eu vou
Pelas suas mãos.
Com amor e gratidão, para C.
14.7.09
Primeiros passos - Versão I
Nascida da vida
Nem sei como cheguei
Como fui parida.
Que leite me sustentou?
Que canção me ninou?
Não sei, não sei
Era filha da vida.
Mas agora tenho mãe
Mãe zelosa, dedicada
De mãos e voz firmes
De mãos e voz amorosas
Ela me sustenta, me orienta
Ela me diz: “Aqui não, cuidado!”
“Vamos, levanta. Fica em pé!”
“Vem, eu te seguro.”
E segura mesmo.
E segura eu vou
Pelas suas mãos
E dou meus primeiros passos.
Com amor e gratidão, para C.
10.7.09
Da ansiedade
-Alô
-Boa tarde, a senhora gostaria de estar concorrendo...
Tutututu
Pego o telefone de novo, digito os números rapidamente. Erro. Mais uma vez. Atende!
Alo,Alô eu poderia falar com a Ana?
...
A, ta. brigada. Não, não precisa. Brigada.
Droga.
Abro um livro. Leio uma página. Fecho o livro.
Quero um chocolate. Quero muito um chocolate. Quero muito um chocolate agora! Eu queria morrer agora. Queria morrer e acordar daqui a onze dias, depois de ter passado tudo. Quero sair de mim e não ser eu até lá, só voltar daqui a onze dias, depois de ter passado tudo. Mais um cigarro, mais uma bala. Quero meu namorado. Eu era auto-suficiente emocionalmente antes dele. Ou pelo menos achava que era. Bah!
Confiro a caixa de e mails. Nada. Olho o celular. nada.
To com dor de cabeça. Dois comprimidos de dipirona. Um copo d’água. Outro. Banho. vou tomar um banho. eu deixo a água escorrer pelo meu corpo. Me sinto um pouco melhor. Vou andar. Isso. Vou andar e só volto daqui a onze dias, depois de ter passado tudo.
Tchau!
7.7.09
des-ilusões

Os dias se abriram em flor e o amor nasceu. Era a vida que me aguardava, que me esperou através dos dias, com seus peitos fartos de leite, até que eu chegasse inteira, com o que sobrou de mim, até que eu chegasse.
Por 4 anos estive louca, morrendo em absurdos. Vozes de perfídia me contavam mentiras desumanas, me atormentavam todo o tempo e o meu coração ardia em chamas de horror.Vestida de rainha, destituída de majestade, nesses dias me chamei Maria. Louca, santa, herege, órfã de pai, mãe e irmãos, percorri o mundo num cavalo baio desprovida de razão.
Nessa noite em que se acham os néscios, procurei a paz para a minha alma azucrinada. Busquei em livros proibidos, em entorpecentes, nas constelações várias que se pode ver, em abismos e mais abismos. Espalhei sobre a Terra cartas desesperadas e cantei meus desencantos com amargura pelas horas sem fim da madrugada. vaguei sem rumo na treva fria , pichei a minha dor pelos muros das cidades todas.
Não houve um sequer que pôde ouvir ou compreender meu grito de socorro.
Mas toda noite tem seu fim.
Tornou o sol a nascer e fez-se dia claro. A claridade revela o amor e o amor é grande, é salvador. Quebra os grilhões de qualquer escravidão.Dá sentido e completude.
E o amor rasgou de alto a baixo o véu da ilusão. A verdade fez-se nua e avançou sobre mim indomável. me deu um tapa na cara e outro e outro e outro, me partiu no meio e tocou meu coração, agora eu o tinha em carne viva. Eu nuca fui tão viva, tão humana. Me segurou firme pelos braços e cuspiu nos meus olhos. eu podia ver e sentir as coisas como elas são de fato.
A realidade então chegou como vinho em minha boca e escorreu quente e branca pelas minhas pernas.
17.6.09
Então eu empurrei ele...
- Abre a porta, Olívia.
Como me irritava esse seu jeito patético de me amar. Sempre insistindo, sempre correndo atrás de mim. Não importava o que eu fizesse.
- Vai embora. Eu gritei furiosa.
Silêncio
Silêncio
Silêncio
Caminhei até a porta e olhei pelo olho mágico. Mas que droga. Lá estava ele, de pé, certo de que eu iria abrir.
Abri.
- Eu te amo.
- Mas eu não.
- Você nunca me amou, né? Nunca gostou de mim de verdade...
- Bingo!!! Agora que entendeu, pode ir embora por favor?
Depois disso, ele não disse mais nada. Saiu e bateu a porta com força. E eu liguei pro Cássio, que pra variar estava ocupado; que pra variar, disse que ligava depois e não ligou.
Babaca.
14.6.09
Bom mesmo seria...
É como se todos os sentimentos fossem vivos e tivessem vontade própria. Nada em mim me obedece. Os dias passam. descontrole após descontrole e nesse abandono declarado de mim mesma, meus desejos fazem de mim gato e sapato. Enquanto isso, os afazeres se acumulam na esperança tola de coragem e disposição para serem feitos com boa vontade. São empurrados com a barriga até o limite de todo prazo ou paciência, o último grão de areia da ampulheta.
Mergulho em histórias que não são minhas para esquecer-me. A noite vem depressa pelas páginas de livros velhos e traz consigo o peso das horas gastas com as linhas erradas, o peso de todas as tarefas do mundo que não diminuíram mais uma vez. Mas agora já é hora de dormir. O amanhã virá com mais uma tentativa falha de fechar os olhos e ter a certeza de que sou eu como quem se olha num espelho.
28.4.09
Caixa de saída III
Nossa, eu gosto tanto de vocês. Tanto, taaanto. ODEIO o fato da J ter se mudado pra longe. Odeio não poder ver e conversar com vocês sempre. O período em que estivemos próximos foi muito importante pra mim. Talvez M seja capaz de dimensionar. Eu não sei se isso é possível e muito menos se foi realmente o que aconteceu, mas a sensação que tenho é a de que vocês me modificaram por dentro, modificaram minha essência. Passei a perceber e a sentir muitas coisas, inclusive eu mesma em alguns aspectos, de um jeito diferente. Aprendi um pouquinho mais da vida, das pessoas e do que é ser humano (nada do que eu pensava). Aliás, vocês pra mim são um retrato fiel de humanidade (e vou me arriscar a dizer: em todos os sentidos que podem ser atribuídos a essa palavra). E eu me vi nesse retrato. Uma parte do que eu sou hoje foi moldada com habilidade pelas mãos de vocês. Sozinha, muito disso iria permanecer massa informe dentro de mim, acumulando espaço, pesando o coração.Obrigada por tudo. Amo muuuito vocês e agora L. claaro!
Um beijo,
J.
26.4.09
Da arte de ver coisas aonde não tem...
-Tchan tchan tchan tchaaan..
-É ou não é?
-Pareceu?
-Pareceu!
-Coisa da sua cabeça, João.
-...
-Não, joão ele não é meu namorado.
-Vocês estão ficando?
-Não
-Já ficaram?
-Não, João..
-Tão se encaminhadando?
-Hã??? João somos só amigos. A-MI-GOS!!!
-Ele já deu em cima de vc?
- (¬¬) Nããão, Joããão!
-Ainda.
...
23.4.09
A História de Maria - versão I
Um dia ela perdeu a cabeça
Não pensava
Não enxergava
Não ouvia
E assim, sem cabeça, ela andou por aí
Sem saber pra onde.
Caminhou por estradas de ouro
E por vales da morte
Navegou por águas calmas
Caiu em precipícios
Provocou acidentes graves
Trombou com a fome
Com a mentira
Com a felicidade
E até com amor
Mas pra Maria tanto fazia
Ela não pensava
Não enxergava
Nem ouvia...
Até que um dia
Maria trombou com a razão
E a razão a segurou bem firme pelos braços
E de dentro de um saco
Tirou a cabeça da Maria
E a pôs de volta no lugar
E Maria pôde ver e ouvir e pensar sobre tudo.
Então Maria voltou pra casa
Cuidou de todos os seus machucados
E quando ficou boa
Foi atrás do seu príncipe encantado.
Com quem ela já tinha trombado
Mas não percebeu.
A razão vaga pelo mundo com um saco nas costas cheio de cabeças perdidas.
14.4.09
Dos desejos
12.4.09
E agora, Maria ? Versão I
Te atordoado os pensamentos
Te agoniado tanto?
Que querer é esse?
Que desejo é esse?
Que arrepio é esse
Que percorre a espinha
E te deixa louca
E te deixa tonta?
Você que tem sempre os pés no chão
Que nunca perde a cabeça,
O bom senso
Que não se deixa levar
Você que é tão racional
Que nunca se envolve
Estás totalmente entregue, Maria
Presa
Vulnerável
Sem defesa
Pra onde foi tua sanidade
Teu juízo
Teu domínio próprio?
Não tens mais censura
Não tens mais freio
Nem limite
Nem controle
De mais nada
E agora, Maria?
E agora?
Se você negasse
Se você fugisse
Se você fingisse indiferença
Resistisse
Mas você quer, Maria.
Você quer.
Enlouquecidamente.
E agora?
E agora?
Um pedido
9.4.09
Constatação XIII ( ou um esclarecimento)
8.4.09
Do descontrole
de tudo que me é nocivo, fujo
e tudo aquilo de que não posso escapar desestabiliza-me. completamente.
1.4.09
Caixa de saída II
Eu sei que você sabe e entende (assim espero) os meus motivos. E sei também que eles não tornam o que eu fiz menos ridículo. Porque o que eu fiz foi ridículo, eu fui extremamente ridícula com você, sumindo da sua vida sem mais nem menos, dando desculpas esfarrapadas. Desculpa por essa época. Os domingos que eu passei na sua casa foram os melhores da minha vida.
L
Encontrei sua irmã hoje na rua. Ela apareceu do nada na minha frente e eu fiquei muito feliz. Foi um pouco como te ver. Dei um superabraço nela e fiquei com muita saudade de você.
Muita mesmo.
A.
A realidade agora é outra, mas ainda assim, sinto muito a sua falta todos os dias. Se aproximar das pessoas, realmente não é um problema pra mim, (salvo algumas exceções, claro) mas uma amizade de verdade não se constrói com simpatia. Apesar disso já fiz muitos amigos que são especialíssimos pra mim, me sinto muito querida por todos eles, mas por hora sou eu mesma meu porto seguro.
M.
Adorei encontrar você naquele dia. Eu senti seu colo junto ao meu e sem chorar você soluçava de emoção. Acho que a gente se abraçou buscando uma na outra um pouco do tempo que não vai voltar. Gosto de você muito mais do que você pensa.
R
Fui com a sua cara desde que te vi no orkut. Eu vi sua foto e pensei: essa garota é legal.
E depois de descobrir que nós temos uma super façanha em comum... Nossa, nós somos duas e dois em milhões. Acho que você vai me ensinar muitas coisas. Eu te proíbo de se mudar até o fim da faculdade, ok?!
29.3.09
Então eu fui parar
*Agora quando não tiver título vou usar a primeira palavra no lugar!
27.3.09
Caixa de saída I
A.
O amor que eu sinto por você me assusta. Seus defeitos, parece, me incomodam mais do que a qualquer outra pessoa e o mesmo acontece com você em relação aos meus, eu sei. Sei também que, às vezes, você tem vontade pegar minha cabeça e bater na parede.Sinto o mesmo. Mas é indescritivelmente estranho como a sua dor dói em mim, como se fosse minha mesmo, assim como é incrível ver os seus olhos brilharem com a minha alegria. Posso até preferir outras pessoas, mas a ligação que existe entre nós é forte demais, o seu lugar na minha vida ninguém pode tirar. Você é a irmã que eu não tive. Te amo muito.
Do fundo meu coração
J.
M. & O.
Vocês estiveram comigo no momento mais difícil da minha vida. Eu não falo nem da situação em si - porque na pior estratégia de autodefesa eu simplesmente ignorava o que acontecia - mas de como eu fiquei no meio daquilo tudo: completamente sozinha. Vocês foram literalmente tudo pra mim. Tudo e todos com quem que podia contar. A minha gratidão é imensa e eterna. Amo muuuito vocês.
J.
F.
Você simplesmente sumiu. Logo você que era uma constante na minha vida. Quando você fica muito tempo sem dar notícia eu até penso na possibilidade de ter te inventado. Lembro que no meu computador não há registros das nossas conversas e imediatamente procuro seu orkut pra ter certeza de que você não é coisa da minha cabeça. Sinto tanta falta de te contar tudo da minha vida e de ouvir suas histórias. Vê se não me esquece e manda um e-mail de vez em quando.
Muitas saudades
*IDY*
P.
Já faz três anos que a gente ta nessa de se ver uma vez na vida outra na morte. Sinto muito a sua falta. Você é simplesmente insubstituível para as minhas loucuras. Mas é maravilhoso ver que apesar do tempo e da distância a amizade continua exatamente a mesma. Não importa mais o que aconteça, o que a gente faça ou se torne, ela é pra sempre. Te amo, amiga.
J.
23.3.09
Minha poesia é imperfeita, inexata.
Minha poesia é imperfeita.
Minha poesia é.
Minha poesia é.
Minha poesia é.
Minha poesia.
Minha.
E daí?
22.3.09
Fragmentos
W. está internado num hospital particular da Zona Sul do Rio. Pneumonia. Apesar de todas as despesas estarem em dia, faz três meses que ninguém aparece para visitá-lo. Há alguns minutos ele aperta a campainha para chamar a enfermeira. Sua frauda precisa ser trocada. Na sala ao lado, V observa a luz vermelha do quarto de W. piscando sem parar, mas está ocupada demais lixando as unhas.
G está atrasada para a faculdade. Ela sabe que vai pegar um ônibus lotado. Ela está grávida de cinco meses e também sabe que ninguém vai ceder lugar pra ela, que ninguém vai sequer segurar sua mochila pesada. Ela pensa em como as pessoas são insensíveis e mal educadas. Ela entra no ônibus. No ponto seguinte, alguém esmaga sua barriga tentando abrir caminho na multidão enlatada. Em meio à raiva e à dor sente uma mão no seu ombro. Hoje alguém lhe cedeu o lugar.
S. Tenta ler um livro. Não está conseguindo se concentrar direito. As páginas amarelas, cheirando a mofo atacam sua alergia. Coça o nariz, ajeita a calcinha, se olha no espelho da porta aberta do guarda-roupa, faz algumas anotações, coça o olho, muda de posição, espirra. A história não lhe agrada muito. Olha em que página está, olha quanto ainda falta. Tem que terminar de ler hoje, não está nem na metade, mas resolve ver um filme.
J. quer escrever, tenta escrever,escreve, mas acha tudo uma porcaria. Eu disse tudo.
Inspirado aqui!
19.3.09
Mais do que nunca - Versão I
que deságua de mim
em riso
em calor
Cócegas no coração
Frio na barriga
E toda vida
E todo amor
Em braços abertos
Em peito aberto
E olhos que brilham expressivos
Que transbordam
Que beijam
Que abraçam
E a boca que fala
Pra quem quer ouvir
E a boca que fala sozinha
A boca que ri
E o coração que
Bate
Bate
Ama
Ama
Toda gente
E dedos que tocam
A realidade quase incrédulos
de tanta maravilha!
7.3.09
Constatação XII ( ou Questão de Referencial)
2.3.09
Num piscar de olhos
Pronto, agora sim! pega a lancheira e vamos.
Como foi o dia hoje?
Brinquei muito no parquinho, mãe!
Filha amanhã gente tem que fazer sua matrícula na escola nova.
Olha, mãe, já sei escrever de mão dada!
Obedece a moça da condução, hein, filha!
Ai, odeio aula de Educação Física!
Tem dever de casa?
Tem, de Ciências.
Só atravessa se o sinal tiver fechado pros carros!
Mãe, a gente tem que sair pra comprar meu material!
Mãe, me ajuda a estudar pra prova de História?
Tah trite por quê, filha ?
Tirei 9,5 em geografia
Ai, hoje tem aula de educação física, que saco!
JUUUULIA, VOCÊ FOI SORTEADA NO CAp
Caraca, fiquei de recuperação!
Minha filha vai dormir
Pai, eu tenho que terminar esse trabalho hoje, dá licença?!
Cara, vamo adiantar logo esse trabalho, é muita coisa.
Mãe, vou ter que ficar aqui na casa da Ana, hoje. É, a gente vai ter que virar pra terminar esse trabalho a tempo.
Educação Física, no primeiro tempo? Fala sério, é pedir pra matar, né?
Ai, não agüento mais estudar.
Deixa eu dar uma olhadinha no seu trabalho de biologia?
E aí, mandou bem?
É física, o que que você acha?
Caraca, um milagre, tirei seis em química, nem acredito!
JUUULIA, VOCÊ PASSOU PRA UFRJ!
MÃE, PASSEI PRA UFRJ!
É...Ela passou pra UFRJ
Eeeee, parabéns, fiquei sabendo...
Parabéns, Ju
Parabéns!
Brigada!
Brigada!
Brigada!
27.2.09
A chuva, a dor e a flor
Eu não sei exatamente quando foi que começou a chover. Talvez não tenha havido mesmo um momento, talvez chovesse desde sempre... choveu por dias a fio, meses e anos inteiros. E a chuva molhou o meu rosto, confundiu-se com a coriza que escorria das minhas narinas, misturou-se a minha saliva me deixando um gosto salgado na boca.
Molhou todo o resto de mim, todo o resto do mundo. O rasgo no peito, eu sentia minha vida escapando por ali, indo embora com a chuva... Eu caía num buraco sem fim... Mas havia a flor e eu a agarrei antes que ela também fosse levada.
A dor era tão grande, que não suportei, entrei em estado de dormência. Não sentia nada. Continuei caindo no buraco sem fim por toda uma eternidade, perdi totalmente a consciência. Lembro-me vagamente de algumas vozes e mais nada. De alguma forma, elas me mantiveram viva. De repente, como que por mágica, acordei. Estava sozinha no meio de uma rua, estirada no asfalto, o chão molhado de chuva, minha blusa manchada de sangue, uma flor em uma de minhas mãos e no peito apenas uma cicatriz.
26.2.09
Muito Obrigada!

Bem, mais um vez a Rachel me passou um selo diretamente do CONTADOURO, selo que eu repasso com muita alegria pro blog A poesia nos conecta da Isadora Garcia, minha mais nova amiga da blogsfera!
Mas o selo não foi o único presente da Rachel pra mim. É ela a responsável pelo novo visual do blog! Brigada pelo layout Rachelita, adorei!!!
24.2.09
O dia ensolarado
não passa
se arrasta em pura monotonia
E o meu corpo queimado
em brasa
arde em agonia
Entediado
recorro às palavras
e o poema se faz
tão chato quanto o dia
O tédio se acumula já encabulado
mas não passa
Não passa
Não passa
Não passa
E o poema coitado
Subjugado a esse tédio
Sem remédio
Fracassa
O dia ensolarado
Passa arrastado
Dentro de casa
Meu corpo queimado
Arde agoniado
Em brasa
Entediado
E amargurado
Recorro às palavras
O poema se faz
Tão chato quanto o dia
O dia se arrasta ensolarado
O tédio se acumula já encabulado
Não passa
Não passa
Não passa
E o poema coitado
Subjugado a esse tédio
Sem remédio
Fracassa
23.2.09
Brindemos!

Brindemos a mais um selo! Já o segundo me passado pela Rachel (minha poetisa preferida), mas dessa vez vindo direto do CONTADOURO, seu blog de prosa!
Brigada Rachelita!
E dessa vez, repasso o selo para o Allan, amigo querido, do Deserto da Palavra!
17.2.09
Para Bárbara
de "prendendo o riso"
Enquanto falo feito uma matraca.
No fim das contas
caímos as duas na gargalhada
14.2.09
Poema para Noca
Eu saía pra escola
E na porta do botequim
Lá estava o Noca
Esperando abrir
Todo dia era assim
Da casa pro bar,
do bar para casa
Em sua embriaguez sem fim
Diziam que era mal do coração
Fora abanado pela mulher que amou
Não agüentou o sofrimento
E à bebida se entregou
No fim da tarde,
lá vinha ele, cambaleando
Assustando meninos medrosos
Batucando seu samba
Numa caixinha de fósforo.
Vinha tentando se equilibrar
Parando várias vezes
Pra cantar, com a sua voz rouca de dor,
Sua música triste.
A bebida entorpecia a mente
A amargura consumia a alma.
E eu pensava que vida teria vivido
Que lugares percorreu
Em que trabalhou
Que canções cantou
Antes do tal acontecido
Mas fazia muito tempo
Eu não via o Noca
E perguntei por ele
Ao que me responderam
“Não ficou sabendo?
Noca está internado
Diabetes
Amputou tudo do joelho pra baixo
Fiquei pasma
Imaginando o Noca no hospital
Completamente lúcido
De volta a realidade
a que todos os dias ele escapava
Vida bandida
Quando penso nele
Não consigo dizer
o que lhe faz mais falta
Se as pernas, ou a bebida.
... ...
Eu sei que ela pode ficar melhor, melhor de dois jeitos. De um que ainda não está ao meu alcance, acho.. e de outro que requer mais tempo, paciência e persistência com as palavras, (um dia eu melhoro ela) mas eu to realmente feliz com a minha poesia.
5.2.09
O que as pessoas não entendem é:
"O centro do nosso universo se encontra no lugar que está doendo" (Rubem Alves)
27.1.09
Para a falta de sentido, os sonhos!
Manhã branca de chuva
É tudo limpo e claro
Uma música irrompe o silêncio
Ecoa pela casa e pela alma
É tudo paz.
Mesmo achando que pensar sobre o sentido da vida é como andar em círculos, eu continuei pensando. Na verdade eu só queria achar uma resposta minimamente satisfatória, que amenizasse em mim toda essa questão.
Não acho que a vida por si só seja plena de sentido. Depende muito do que se vive. Sem devaneios que não levam o lugar nenhum, constatei que não há melhor motivo pra viver do que sonhos, sonhos nossos! Pelo menos é assim que funciona comigo. O que me move é a anseio por realizações. Isso me faz querer continuar, e as conquistas me fazem crer que cada dia vale a pena.
Na primeira vez que me esforcei sozinha, pra conseguir uma coisa que eu realmente queria, tive muito medo de que quando finalmente conseguisse, eu pensasse: é isso? E pior, concluísse, depois de tudo, que poderia muito bem viver sem aquilo. Mas não, não foi o caso. Claro que esse tipo de frustração acontece, mas ainda bem que não é sempre.
A vida certamente é mais do que um ciclo de sonhos e conquistas, mas acho que não ter pelo que lutar inunda a existência de um tédio insuportável. É aí que, desesperadas, as pessoas (se) acabam numa busca louca por excitação em tentativas vazias e falhas desde o início. Isso é muito triste.
Viver pra realizar sonhos. Não sei se isso suficiente, mas por hora é pelos meus que vivo e ao menos por hora, me basta.
19.1.09
A minha alma é leve
Por que eu sinto como se vivesse numa bolha onde nada me atinge? Por que as minhas esperanças não morrem? Por que existem situações que simplesmente não se resolvem, nem acabam, nem passam? Será mesmo que tudo na vida passa? Será mesmo que o tempo cura todas as feridas? Por que as minhas esperanças não morrem?Por que me parece que somos sozinhos na vida? Sabe, não falo de não ter alguém. Falo da dor que mesmo compartilhada, mesmo chorada em algum ombro, mesmo sei lá, continua sendo sua e só sua e só você pode lidar com ela. E que vazio é esse na alma de que tanto falam? Que incompletude é essa? Do que as pessoas têm fome e sede? Por que as minhas esperanças não morrem? Acho muito estranho sentir medo de uma outra pessoa como se ela fosse menos humana ou menos racional do que eu. Ao mesmo tempo também me é estranho como confiamos no outro, sem duvidar da sua boa fé. Verdade que quando a gente cresce o coração morre? Verdade que a gente endurece? Talvez seja por isso que não abandono meus ares infantis. Não quero endurecer. Não quero perder o brilho nos olhos. A vida precisa mesmo ter um sentido? Não sei qual é o sentindo da vida ou se a minha vida tem um sentido, mas também não me faz falta. Pensar nisso, a meu ver, é como andar em círculos. E para os que me julgam romântica, pasmem: isso de seguir sempre o coração é muito bonito nos livros. Doce ilusão a de que ele (ou nós agindo por impulso?) é imune a erros e enganos. Mas chega dos meus achismos (não gosto de emitir minhas opiniões) e dos meus questionamentos. Queria mesmo escrever poesias ou histórias. Indigna-me vê-las por aí escritas em outros lugares, por outras pessoas, mas tudo bem, se eu tivesse treze anos, estaria suuuper feliz agora.
12.1.09
Teimosia
Minha poesia não sabe rimar
Minhas palavras não são eloqüentes
Desanimo só de pensar
Escrevo por pura insistência
Não sei se minha ou das palavras
To desanimada pra escrever :/
3.1.09
21.12.08
Dessa vez, da Rachel do .C A N T A D O U R O.. Brigada, Rachel! E eu repasso pra Carol do S I L E N C I O S I D A D E .

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E... mais Poetas Insones
9.12.08
Diário de uma caneta
Estou muito, muito, muito feliz. Finalmente realizei meu maior sonho: ser caneta de um escritor. Confesso que já tinha perdido as esperanças. Na era digital, raros são os escritores que ainda fazem uso de nós. Agora é só computador. Nem acredito que consegui. Nada de vestibulandos neuróticos que nos mordem na hora do nervosismo (eca!), ou super-mulheres que nos deixam jogadas na bolsa em meio a dinheiro, maquiagem, pente, livro, remédio e etc...
Meu canetavô se estivesse vivo não ia agüentar essa. Ia morrer de tanto orgulho. Ele fez de um tudo na vida. Foi da orelha de dono de padaria aos bolsos das camisas de grandes empresários, mas não conseguiu ser escritor... Era seu sonho também. Ele adorava me contar sobre as penas de Shakespeare, Molière, Machado, ou ainda sobre nossos antepassados, que segundo ele, foram penas de grandes navegadores e muito escreveram a Portugal sobre a Ilha de Vera Cruz...
O meu dono tem só 19 anos, mas que talento.Ele é muito mais do que eu desejei. Conto é o que ele mais gosta de escrever, mas vez ou outra arrisca uns versos também. Nunca lançou nenhum livro, mas tem um blog muito legal que muita gente lê. Já ganhou prêmio e tudo, aliás, vááários prêmios, um orgulho! Não tenho dúvidas de que será um grande (grandississississíssimo) escritor. Ele é fantástico, incrível, maravilhoso, o melhor que já conheci. Será um ícone da literatura. Já posso até ver meus dias de glória, quando serei caneta de autógrafos,*suspiro* ai ai ... Mas agora eu preciso ir, diário, ele está inspirado e eu não vejo a hora de começar o próximo conto. Até mais. Volto com notícias da fama...
Texto inspirado no blog Diários Roubados
4.12.08
Por aí...
-Eu? Não!
-Ah! é que se eu acelero, vc acelera tbm, se eu vou devagar, vc tbm vai...
- Vc me testou, é?
-Eu?? Nããão!
- Eu tava simplesmente passando quando vc saiu da padaria com essa lata de coca na mão e começou a andar do meu lado.
Os dois riram
-Quer um gole?
- Não, brigada.
-Pra onde vc ta indo?
- Não acha que a gente se conhece há muito pouco tempo pra eu te dizer pra onde eu to indo?
- É, realmente... Ainda nem sei nome.
-Olívia, e o seu?
- Miguel. Então.
-Se eu disser que não estou indo pra lugar nenhum, acredita?
-Talvez.
- E vc, tah indo pra onde?
-Pra lugar nehum tbm, acredita?
-Mas eu realmente não estou indo pra lugar nenhum.. quando eu cansar, vou atravessar a rua, pegar um ônibus e voltar pra casa.
-Nossa! Então, acho que não vai ter problema nenhum eu te acompanhar..
-Hum...Vc não é nenhum traficante de órgãos que quer me matar só pra roubar meus rins não. ne?
-Não. Nem nenhum serial killer.
-Ufa, que bom! Agora que vc falou me sinto mais segura.
Riram de novo. Riram e andaram e falaram e riram e andaram e riram e...
voltaram falando e rindo...
-Eh... então Olívia,minha casa fica bem ali..Vc segue a pé ainda?
-Aham ..
-Então tah. Bom te conhecer, viu?
-Pra mim também
Eles gostaram um do outro, queriam poder se ver de novo, mas não falaram mais nada ...
-Tchau!
-Tchau!
Burros
1.12.08
Não tem graça...
15.11.08
5.11.08
1 Ano!
E é isso gente.
=))
18.10.08
Porque o tempo não anda pratrás...
inquieta
aquieta
a lembrança
hexágono
perfeito
desenho animado
recortado e colado
triste dizer passado irrecuperavelmente perdido
Aos meus amigos queridos (em ordem alfabética) Ana, Ed, Maria, Miguel e Nathan.
Saudades dos nossos dias perfeitos
14.10.08
3,2,1
Dor de cabeça. 30? 40? 45 gotas de dipirona sódica. Silêncio, eu preciso de silêncio agora. A dor já vai passar. Passou. Passou um pássaro, passou o trem, passou o tempo e eu nem vi. Passou o tempo e eu não estudei. Passou a noite, eu não dormi. O despertador. Droga, to atrasada. Preciso jogar meu corpo sonolento embaixo do chuveiro frio, até eu me afogar. Até eu me diluir. E virar água. Uma gota de água que vai chover em dezembro bem na ponta do seu nariz.
Calor. Eu vou derreter, de tanto calor, de tanto calor. A minha garganta está seca. Calor, Sede, Fome. Barrigas doem vazias em quilômetros e quilômetros enquanto bolsos transbordam e garotas bulímicas vomitam escondido. Isso é deprimente. E até parece que agora, não dá pra falar mais nada. Talvez amor, mas só por um descuido meu. Enquanto isso, o cursor pisca, paciente. E o relógio grita as horas ensandecido. Tic-tac tictac tac-tic.Tenho que estudar não quero estudar tenhoqueestudar nãoqueroestudar, tenhoquestudarnãoqueroestudar. Tec, tec, tectectec. Quero escrever. até que sangre a ponta dos meus dedos. Até que eu seja um monte de palavras preenchendo espaços em branco. Mas eu sou só uma bailarina presa em uma caixinha de música. Vou estudar.
13.10.08
comentando
A menina ta estranha
Não sorri mais
Será que sofre de amor?
De alguma doença?
Ou será que é desejo
não realizado?
Mas ela não diz
Não diz por nada
Se alguém pergunta
Responde que
o nariz vermelho
e os olhos lacrimejando
é só alergia.
Acredita quem quiser...
10.10.08
23.9.08
tão cheia
de portas trancadas
de quartos vazios
tão cheia de abismos
corredores escuros
Esta casa
tão cheia de histórias
tão cheia de sorrisos
lágrimas
tão cheia de dores
tão cheia de esperanças
tão cheia de silêncios
Esta casa
tão cheia de amor
tão cheia de sonhos
tão cheia de ilusões
Esta casa
somos nós.
22.9.08
Agarra-se a qualquer fé
A qualquer coisa
Lamenta o que não foi
Planos desfeitos
Sonhos perdidos
Mas depois
Como que conformado
Pensa que era destino
Descompasso
Sigo
Um pra frente dois pra trás
Dou voltas e voltas e volta e voltas
Estou sempre no mesmo lugar
Piso em falso
Caio
Levanto
Mudo o sentido
Mudo o passo
Mudo o destino
18.9.08
Até que.
Os lábios dele eram macios como só eu e ela sabíamos. É, hoje não sei mais. Os lábios deles, colados, fundiram-se numa coisa só. Num só desejo, numa só quentura, num só gosto.
Ela ainda usava aparelho nos dentes. Ele não tinha nem penugem no rosto. Seus corpos eram dois rios rasos e tranqüilos por onde podiam navegar sonhos de papel. Próprio dos amores infantis.
Os lábios pareciam grudados pra sempre. Ainda se olhavam.
O sinal. O sinal. O sinal tocou trazendo-lhes de volta ao jardim da escola, aonde nenhuma criança ia.
Seguiram mudos e leves para a sala de aula. Entre os lábios, guardavam o segredo mais bonito.
16.9.08
Nua e crua
mas nem sempre eu consigo
15.9.08
18: 47 vontade de chorar. 18:51 rabisquei a apostila. 18:55 outro exercício. 19:01 não consegui(de novo). 19:13 ainda não. 19: 15 chorei. 19: 30 respirei fundo 19:40 desisti. 20 :19 deitei. 20:30 peguei no sono 20:31 o telefone tocou 20:31 desliguei o telefone. 21:13 levantei 21: 34 “pra sempre é tempo de mais pra qualquer coisa, até pra desaparecer.” 21:35 vontade de escrever. 22:20 escrevo isso. 11:00 ninguém merece ler isso. 11:00 vou postar assim mesmo. 11:20 morte até o dia seguinte.
13.9.08
Carolina I
No recreio, afastada das outras crianças, Carolina lia pela décima terceira vez seu livro favorito, Alice no País das Maravilhas. Estava exatamente na parte em que Alice encontra a lagarta.
“por fim, a Lagarta tirou o narguilé da boca, e dirigiu-se à menina com uma voz lânguida, sonolenta.
“Quem é você?””
Presa em seus pensamentos, Carolina fazia a mesma pergunta a si própria. Porém, antes que pudesse chegar à conclusão de sempre, fora interrompida. Luiza, Clara e Beatriz aproximaram-se impedindo a claridade, despertando-a de seus devaneios.
-- O que está lendo desta vez ?-- Perguntou Luiza que liderava as outras duas garotas. Carolina a encarava séria, segurando o livro contra o peito. – Não, não. Não responda.
--Vamos meninas, vamos dizer, todas juntas, o que ela está lendo.
Então, as três, em tom debochado disseram o titulo do livro e riram.
Crianças podem ser muito más!
Carolina fechou o livro, levantou-se e foi andando em direção à porta que dava para a parte interna do pátio do colégio.
Luiza e suas amigas começaram a gritar: Carol mongol, Carol mongol, Carol mongol.
Todas as outras crianças voltaram-se atônitas para a cena. Carolina parou. Não conseguia sair do lugar. As lágrimas começaram a escorrer pelo seu rostinho, em um choro sufocado, mas logo alguém percebeu.
--Ela ta chorando!
--É burra, mongol e chorona! – Luiza não perdeu tempo.
O sinal tocou dando fim ao espetáculo.
A Terra transformou-se em uma esfera fria, oca e escura onde só havia Carolina e as palavras de Luiza ecoando de todas as direções, vindo se chocarem todas nela. Vertigem.
Carolina permanecia imóvel, agarrada ao livro, enquanto todas as crianças esvaziavam o pátio.
Alguns anos depois, escreveria o seguinte sobre isso: Então ela pegou todos os rótulos estúpidos que criou pra mim e pregou um por um na minha carne viva. Sadicamente. Espasmos. Sangue. Escuridão.
Finalmente, quando todos já tinham ido, Carolina dirigiu-se para a sala de aula.
Continua
30.8.08
28.8.08
24.8.08
Sobre obviedades ...
Da saudade que tenho hoje
É assim uma dor finiiiinha que cresce pra dentro do peito. Como se estivessem cravando uma agulha no seu coração. E porque cresce pra dentro, não dá vontade de chorar. Quase sufoca. É como uma massa preta, compacta e densa, um peso enorme comprimindo seus pulmões.
16.8.08
Das minhas verdades III (sobre a morte)
O tempo esgota a vida,
faz crescer o amor.
O tempo corre a vida escorre o amor transborda.
A vida se vai,
fica o amor.
A lágrima corre escorre transborda
inunda tudo.
Ninguém morreu. Só acho que deve ser mais ou menos assim
12.8.08
*Selos*
9.8.08
Cássio,
hoje faz um ano que nos vimos pela última vez. Também tem muito tempo que não escrevo nada pra você. Naquele dia, eu estava mortificada, sem alma nenhuma. Tudo que eu quis, foi correr para os teus braços quentes, mas eu simplesmente não consegui. Minhas pernas não saíram do lugar. Alguma coisa mudara entre nós fazia tempo. Você jamais me negaria um abraço. Mas dentro de mim eu sabia, meu corpo sabia, que o seu já não esperava mais por mim, para acolher minha tristeza e enxugar minhas lágrimas. Eu precisava de mais do que um abraço.
Você veio na minha direção sorrindo - seu sorriso ainda era o mais lindo do mundo – me deu um beijo na testa, como sempre fez, e parou bem na minha frente. Nunca tinha reparado que você era tão alto. Eu tinha tantas coisas pra te contar. Eu quis tanto falar que sentia sua falta. Eu quis te contar que agora eu usava saias coloridas, que eu tinha uma bicicleta nova e estava pensando em um nome pra ela, que eu tinha descoberto que a minha boca é igual a do meu pai, que eu tinha trocado o espelho do meu quarto que você odiava por causa daquelas manchas. Eu também quis te falar dos meus óculos novos. Será que você reparou que não eram mais os mesmo de quando eu te conheci?
Trocamos meia dúzia de palavras. Todas as outras ficaram ali, flutuando entre nós, suspensas no ar, entre os meus olhos e os seus, entre o desejo de se descobrirem ditas e um receio de serem ouvidas. Me senti sufocada e você, levemente perturbado. Mesmo assim, pensei que pudéssemos conversar um pouco, como nos velhos tempos, mas você estava com pressa. Claro, como eu não imaginei isso?! Você disse que tinha que ir, se despediu de mim com o mesmo beijo na testa e foi embora sem olhar para trás. Então eu te odiei e te achei o cara mais idiota da face da Terra.
Quando recebi sua carta semana passada, fiquei surpresa. Fiquei pensando por que em vez de um e-mail, você me mandou uma carta. Exatamente uma carta, como tantas que escrevi pra você e guardei na gaveta desde aquele dia. (Sei que você não perdeu ou esqueceu meu e-mail.) Nem pareia o mesmo de um ano atrás. Parecia o mesmo de sempre, o mesmo que eu conheci, que me adorava. Se eu te visse, certamente correria para um abraço feliz (e te abraçaria bem forte) e te contaria tudo, te faria todas as perguntas e ouviria tudo que tivesse para me dizer atentamente. Fiquei muito feliz!
Esta aqui também vai para gaveta, talvez, um dia, te mostre todas elas, mas sua resposta já está a caminho.
Um Beijo,
7.8.08
6.8.08
4.8.08
100 corpos nus
Cem corpos nus.
Homens,
mulheres,
crianças,
velhos
O corpo dela.
(meu corpo)
Apenas mais um entre todos
os outros 99 corpos nus
Cem corpos nus
Exalando vida
misturando suas substâncias,
seus odores.
O corpo dela
(meu corpo)
Cem corpos nus.
Toda a beleza
e toda imperfeição
de cem corpos nus.
O corpo dela
(meu corpo)
Apenas mais um entre todos
os outros 99 corpos nus.
Era um espaço grande, debilmente iluminado. Havia dezenas de pessoas agachadas, com as pernas juntas, envoltas pelos próprios braços e as cabeças baixas, junto aos joelhos.Todas elas declamavam este poema. Primeiro bem baixinho, quase num sussurro, e devagar também. Depois, gradativamente, aumentavam o tom de voz e o ritmo e iam se levantando. Estavam todas nuas. De pé, falavam normalmente por alguns segundos. Um instante de silêncio. Em seguida, uma de cada vez, começava a andar, declamando novamente o poema desde o início, formando, assim, um coro polifônico. Falavam cada vez mais alto e mais rápido. Antes que estivessem gritando e correndo, começavam o caminho inverso e aos poucos voltavam a ao estado inicial. A luz, que já era fraca, diminuía até se extinguir de vez. Escuridão. Silencio. Outra luz, forte e azul se acendia iluminando uma mulher. Estava de pé, completamente nua e suada, com as pernas um pouco afastadas uma da outra e os braços soltos, esticados ao longo do corpo. Seu peito arfava e ela tinha lágrimas nos olhos. Apática e com um olhar perdido, declamava o poema sozinha. Ao terminar, a luz se apagava e então eu acordava. Foi assim por três noites consecutivas.
1.8.08
Das minhas verdades II (Sobre o amor)
Amor a gente tem dentro da gente.
Amor a gente sente por outra pessoa.
Amor a gente exerce.
Amar é o exercício do amor
(e o exercício do amor não é apenas senti-lo.)
Posso sentir amor por alguém e não amá-lo e posso amar alguém sem sentir amor por ele, apenas porque tenho amor dentro de mim.
De qualquer forma, eu diria que, sob essa perspectiva, amar é muito difícil, é para poucos.
Exige dedicação, entrega e generosidade. Por isso, mais difícil do que amar é amar sem ferir nosso amor próprio ( que só pra deixar claro, pra mim, não tem nada a ver a com egocentrismo).
30.7.08
Foi assim
-Olívia, você vai tirar toda sua roupa e colocar o avental. Depois é só aguardar. A sapatilha você pode colocar por cima da meia. Ta aqui a chave do armário pra você guardar suas coisas.
- Ta bom, brigada.
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-Olívia?
-Sim.
- Vem comigo, por favor!
Pensamento de Olívia: “Será que posso levar o livro?”
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-Aguarda só um minutinho.
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A primeira moça apareceu novamente. Ela usava um uniforme bege. Calça e blusa. Tinha um coque no cabelo e usava maquiagem.
-Estica o braço. Isso.
Aquilo estava se tornando amedrontador demais.
- Mantém ele assim, esticado. Agora é só aguardar.
-Tudo bem.
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-Oi Olívia, ta tudo bem? -- De novo, a primeira moça.
-Meio chato aqui, mas ta, ta tudo bem sim.
-Aguarda só mais um pouquinho.
-Claro!
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-Oi, você que é a Olívia?
-Sim.
-Pode vir com a gente.
Era uma moça e um rapaz. Ambos usavam um uniforme azul.
- Você pode colocar a sapatilha no meu pé? Saiu.
As pernas de Olívia estiveram inquietas.
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-Pode se deitar aqui.
Havia um lugar para encaixar o pescoço e a cabeça de maneira que ficariam imóveis.
-Você vai ouvir um barulho alto, mas é normal. --Enquanto a preparava, o rapaz deu alguns avisos e instruções. – Você só não pode mexer a cabeça.
-Levanta a perna, Olívia. – Disse a moça.
Ficou mais confortável daquele jeito.
-Você quer um cobertor?
-Faz frio lá dentro?
-É a mesma temperatura da sala.
-Não, não precisa.
O rapaz colocou pedaços de algodão em cada um de seus ouvidos e depois um fone protetor, voltando a falar do barulho, que era normal e que ela não poderia mexer a cabeça. Também colocou na sua mão esquerda campainha. Qualquer problema era só apertar.
Uma espécie de grade foi abaixada sobre seu rosto. Pronto! Ia começar.
A esteira sobre a qual Olívia estava deitada começou a andar levando-a para dentro de um enorme tubo branco. Definitivamente, ela não tem claustrofobia.
Não fechou os olhos. Estava um pouco tensa, músculos contraídos, a boca seca. Mas nem se dava conta. Sua mente divagava.
A primeira coisa que pensou foi que aquilo tudo, a grade, o tubo avançando sobre ela, aqueles sons esquisitos do lado de fora, seria interessante um filme começando daquele jeito. Uma câmera colocada ali dentro pra mostrar a visão do personagem entubado. Depois dessas imagens e ruídos estranhos, o personagem acordaria, como se estivesse tendo um pesadelo, ou um sonho sem sentido que depois seria explicado ao longo da história. É, essa ultima possibilidade combinava mais com o que ela estava sentindo.
Os sons chamaram sua atenção. Eles se revezavam numa seqüência. O primeiro lembrava um alarme de incêndio. Logo vinha na sua cabeça a imagem de pessoas correndo. Nitidamente, via apenas o rosto de uma mulher loira de cabelos cacheados, na altura dos ombros. Os olhos azuis estavam desesperados e procuravam uma saída. Aquele som parava e vinha o segundo que parecia um barulho de britadeira, só que bem mais suave. Aí ela apenas se lembrava dos trabalhadores nas ruas e de que ela sempre pensava: eles devem ser musculosos. Esse segundo som não parava, transformava-se em um terceiro: Som de helicóptero. Ela imaginava um se aproximando, com um super-herói dentro, ou melhor, um homem normal, o grande amor da sua vida, que vinha salvá-la de cientistas malucos que a mantinham prisioneira.
(Qual deve ter sido o rosto que ela viu nessa hora?) Em seguida, um som mais longe se juntava ao do helicóptero: o som de um trem. Então ela ouvia os dois por um tempo, mas desligava-se do som do helicóptero e pensava só nas rodas do trem girando. Daí, começava tudo de novo.
Às vezes, ela ouvia a voz do rapaz, vinda de algum lugar, fazendo uma pergunta, interrompendo seus devaneios. A princípio, respondeu sem ter certeza de que estava sendo ouvida.
-Tudo bem Olívia?
-Tudo
*Olhos interrogativos*
Em algum momento ela pensou que todos aqueles sons eram pretos. Com exceção do primeiro, claro. Que provavelmente achou ser vermelho. Se ainda não havia fechado os olhos, fechou nesse instante. Ficou imaginando as cores dos sons. Muitos eram dourados. Questionou-se sobre a cor do silêncio. Parou de pensar no assunto. Resolveu dormir. Aquilo estava demorando muito. Bem relaxada, caiu num sono consciente.
Novamente a voz do rapaz trouxe-a de volta ao tubo branco. Havia acabado. Agora, a esteira a levava para fora.
Sentou-se.
-Está se sentindo bem, Olívia?
- Acho que sim, só estou um pouco tonta.
Em seguida, desmaiou.
28.7.08
26.7.08
Das minhas verdades
Rio, 05/09/2004 - 03h10min Uma garota se olha incansavelmente no espelho do seu guarda roupa.
Sentia-se como se a beleza tivesse desejado se revelar nela, por ela e tivesse tomado suas formas e se mostrado pro mundo. Gritante, viva, fresca, generosa, incondicional, exibida, perfumada, exultante, determinada, reluzente, suave, delicada, encantadora, única, exótica. Serena, mas perturbadora, doce e selvagem, obvia e surpreendente... E era como se toda beleza fosse dela e viesse dela para o resto do mundo. E ela só quis que ele, ele a tivesse visto assim.
A garota apenas havia se olhado de um jeito diferente, ela nada sabia sobre a beleza. E ele, bem, ela não sabia, mas ele sempre a via daquele jeito.
A beleza não existe nas coisas- nem a feiúra- Ela não está estampada ou ausente nos rostos, nos corpos, nas flores, nas águas, nos céus, nas borboletas, nas aves, nos livros, nos filmes, nos quadros, nas ruas, nos automóveis.
A beleza é um fato que acontece (ou não).
Depende do modo como se olha. E o modo como se olha, depende de quem olha.
04h:17min. Num segundo de distração, a beleza "se foi". Quando a garota se olhou novamente, não estava mais ali. Esvaiu-se no ar, abandonando-a.
Então ela chorou.
Pobre! Nada sabia sobre a beleza.
23.7.08
Final Feliz (excepcionalmente uma página de diário)
Comecei a escrever esse texto dizendo que eu tinha tido um dia mal. E, de fato, o dia hoje não foi dos melhores. Meu pai passou muito mal nessa madrugada. Desmaiou e ficou sei lá quantos minutos desacordado. Pareceu uma eternidade. Não dormi à noite. Também não dormi de dia, não sei porquê. Eu ia no cinema com uns amigos meus do colégio ver WALL-E. A gente tinha marcado no domingo e, desde então, não nos falamos mais. Eles são pessoas enroladas e eu resolvi ligar pra confirmar. Não rolou. Eu queria ter ido. Eu também tinha pensado em ir mais cedo, assistir sozinha a um outro filme, que acabei indo ver à noite - Nome Próprio. Não tinha mais ingresso pro horário das sete e a próxima sessão ia ser às nove. Desisti dele e resolvi ver outro. Acontece que eu sou péssima pra escolher filme e acabei vendo um horrível, odiei (e olha que é difícil eu não gostar de um filme). Dividida
21.7.08
Vestido de chita
maria chiquinha
menina bonita
Blusinha colada
saia rodada
moça enluarada
desejada
venerada
arrasta olhares por onde passa
15.7.08
Uma pequena mentira
Nós é que , às vezes, olhamos pelo lado errado do binóculo.
12.7.08
http://parafrancisco.blogspot.com
Hoje, eu fui uma mulher de trinta e poucos anos. Me apaixonei perdidamente. Engravidei. Perdi o meu amor, ganhei um filho dele. Hoje eu fui a mulher mais triste e mais feliz do mundo.
11.7.08
21.6.08
Liberdade
as paredes
desmoronaram
Não havia mais
o quadro negro
As mesas
desapareceram
todas
Uma relva verde e fresca nascia sob meus pés
O teto branco deu lugar ao azul infinito
Agora eu podia sentir o solAté parece que as minhas aulas na faculdade serão ao ar livre ... ai ai!
14.6.08
Desejo
Me dói na alma conhecer uma palavra, saber o seu significado e não usá-la por não dominá-la completamente.
Cada vez que escrevo é como se eu explodisse. Não que as palavras em mim sejam muitas. Ao contrário. Elas me faltam. Sou uma caixa de pensamentos e sentimentos efervescentes e infinitos sobre a vida, o amor e as pessoas. Há muito para falar, mas as palavras me faltam. Quando não consigo mais suportar, me conformo com as que agarro no desespero. (Palavras não se deixam pegar facilmente. São escorregadias. Escapam por entre os dedos.) Às vezes, roubo-as dos outros. Mas tudo o que consigo é sempre muito pouco para o que há aqui dentro.
E eu preencheria todos os brancos angustiantes ao meu redor porque a minha paz não é branca, ela é da cor de todas as palavras.
Agora mesmo elas me faltam. A sensação é de que alguma coisa não foi dita. Não pôde ser.
11.6.08
Acho que vou vomitar.
Todas as palavras hoje foram escritas com letras pequenas demais.
Ta tudo meio assim com gosto de cigarro.
(Eca, eca, eca!)
Provas me deixam tensa
Não gosto de provas.
Quem gosta?
Prova
Parov
Pavro
Pavor
Hoje foi dia de pavor
Amanhã vai ser dia dos namorados
Vai ser dia normal
Dia de colégio
Dia de estudar
Dia de pensar "que saco,
não quero estudar"
e, óbvio, fazer tudo, menos estudar
Queria dormir agora,
mas não posso
Queria sair,
mas também não posso.
To ilhada no meu quarto, sem poder dormir.
Na frente do computador, sem poder sair.
To ouvindo rádio
Nada legal tocando.
Nessa estação, às vezes toca umas músicas
Que meu pai gostava de me mostrar quando eu era pequena.
O nosso amor é um castelo de cartas de baralho
Que eu nunca vou cansar de reconstruir.
É bom não esquecer as lembranças doces.
É bom.
É bom dormir quando se tem sono,
Comer quando se tem fome.
Beber quando se tem sede.
Eu tenho sono.
(e agora já posso dormir)
Tenho fome de sonho
E sede de sonho também.
Águas de Março.
Essa é uma das músicas que meu pai gostava de me mostrar.
Ta tocando.
Vou deitar quando ela acabar.
Já ta tarde
E amanhã é dia de colégio.
10.6.08
Constatação VIII
"Quando a gente é jovem e olha pras nossas ações meses atrás, nos surpreendemos de tanto que nós éramos imaturos e tolos"
Fred Cheregati
6.6.08
5.6.08
Constatação VII
e eu não tenho mais palavras.
Letras brancas flutuam mornas no azul,
mas já não sou capaz de alcançá-las.
Eu não posso tocar o azul.
Eu não posso olhar nos seus olhos.
1.6.08
O quarto rosa
Eu estava toda molhada, mas ainda fiquei alguns minutos a olhar a sua janela. Pensei em você, nas paredes rosas do seu quarto, na mobília disposta cada dia de um jeito diferente, no espelho que eu amoooo pendurado entre a cama e o guarda-roupa, nas viradas de noite, nos filmes, nos choros, nas risadas, nas comilanças, nas bagunças, nas conversas, nas outras pessoas que estiveram lá, nas nossas brincadeiras sem noção, nas lavagens cerebrais que fizeram em mim, em tudo que eu aprendi sobre vida e as pessoas nele. E tudo isso em menos de um ano, heim? Sem dúvida a sua janela é a que me deixa mais feliz e o seu quarto é o mais mágico de todos.
Fiquei com uma vontade enorme de subir e conversar com você. Mas as cortinas estavam abertas, você não estava.
*Porque no ano passado, a essa altura, eu já enchia o seu saco pelo orkut pra vc ler os meus textos*
30.5.08
Vida
Vi em preto e branco
Mas agora eu sei que é colorida
(Mesmo em dias chuvosos)
29.5.08
Ela não tinha mais nada a perder.
Sentada no banco da estação, a garota olhava o bilhete que segurava entre os dedos.
Sabia bem dos riscos que corria e por isso tinha medo. Muito medo.
Ela não suportaria mais uma decepção, mais uma frustração.
Mas também sabia que poderia descobrir o quanto esteve errada durante toda a sua vida.
E ela queria muito estar errada, porque a sua verdade doía.
Quando o trem chegou, entrou no vagão sem hesitar.
Não olhou mais para trás.
Para minha menina medrosa.
28.5.08
Sempre me soube assim.
Sempre assim.
Sempre!
25.5.08
23.5.08
Crônica
A menina fazia a lição de casa na sala quando o telejornal foi interrompido. Apavorada, apresentadora começou a trasmistir aos espectadores a notícia bombástica. A seqüência de acontecimentos era realmente alarmante. Um evento inesperado gerou uma onda de pânico e ansiedade nas pessoas.
Durante a narração da jornalista, imagens gravadas em estabelecimentos comerciais de todo o mundo iam sendo exibidas. Pessoas alucinadas invadindo os mercados, devorando as guloseimas que ainda não haviam desaparecido, disputando agressivamente os produtos. Um verdadeiro caos.
Grito de pavor!
Com os olhos arregalados a menina se deparou com teto branco de seu quarto.
Tudo não havia passado de um pesadelo.
Ufa!
Ele foi por puro desejo.
Ela, por pura curiosidade.
Tolos!Confundiram amor com pornografia.
Porque eu também sinto a sua falta
Eu só a vi chorar uma vez na vida.
Agora, do outro lado da linha, ela chorava de novo e era de saudades minhas.
.
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Te amo, vó!
19.5.08
explosão
Escuridão densa.
Fim.
15.5.08
Constatação VI
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Talvez, isso já faça algum tempo, mas ainda é assustador.
12.5.08
3.5.08
Diálogo de uma garota com seu amigo imaginário
Não chega muito perto.
Eu to armada e você pode se machucar seriamente.
Todos os sons cheiros e cores
explodem agora
dentro da minha cabeça
Tá tudo girando
E às vezes fica tudo preto.
Eu to grávida.
Sinto esse ser, vivo, crescendo dentro de mim.
É tão estranho.
Esse é meu último cigarro.
Vou parar por causa do bebê.
Quer fumar ele junto comigo?
Pode deixar, não vou fazer nada agora.
Já reparou em como as pessoas fazem barulho?
Elas falam alto,
vêem televisão em uma altura absurda
brigam, gritam, riem alto.
Não calam a boca.
Pois é, são insuportáveis.
Sabia que você iria concordar comigo.
Tava me lembrando do dia em que eu te conheci.
Você na janela do seu apartamento,
me viu bem na hora em que as minhas havaianas arrebentaram
no meio da rua.
Eu achei o máximo você vir correndo
atrás de mim com um chinelo.
Na hora eu pensei: caraca, eu vou casar com ele.
Naquela época eu sonhava em encontrar um príncipe encantado
pelas ruas da cidade.
Eu também não fumava e ainda era o orgulho da minha família.
Ai, Não quero mais falar sobre isso.
Eu sei que fui eu que comecei.
Mudei de idéia, ué
Me fala de você.
To com saudades das suas histórias loucas.
Aliás, tem muito tempo que você não toca nada pra mim.
Isso, isso!!
Toca uma música pra mim e pro meu bebê no seu violão.
Mas toca bem alto.
Eu só quero ouvir você.
Toca o mais alto que você puder.
Até eu dormir.
e adormeceu acariciando sua barriga.
Mas é claro, não havia música alguma.
22.4.08
Do coração
Quanto tempo tem que a gente não conversa? Quanto tempo tem que a gente não sai só nós duas, sem preocupação, sem hora pra voltar? Sinto saudades dos nossos momentos juntas. Das nossas comprinhas no shopping com lanchinho no McDonald’s no final. Eu quero de novo o mês de dezembro todinho só pra gente, com praia todo dia de manhã. Nossos passeios na Lagoa, no Jardim Botânico. Nós ficávamos horas jogando conversa fora, falando sobre a gente, fazendo mil e um planos. Você me ensinou a sonhar. Foi você quem plantou no meu coração cada sonho que eu tenho hoje. Foi você quem me ensinou a amar, a fazer o bem “sem olhar a quem”, me ensinou a respeitar as pessoas, a ser correta, a dar o melhor de mim sempre. Foi você quem me ensinou a amar meu pai. Não gosto nem de pensar que eu já quase te perdi pra sempre.
Lembra quando eu tinha 12 anos e te perguntei (depois de uns bons minutos enrolando) se eu podia ficar com um garoto? Você ficou tão surpresa e desesperada. Respondeu com toda ênfase do mundo: “Julia, nem pensaaaaaaaaaar”. Acho que você não sabia que eu já tinha beijado na boca. Depois, mais calma, você acabou deixando. Será que hoje você já sabe que aquele não foi o meu primeiro beijo? Reconheço, nunca te deixei participar muito da minha vida nesse sentido apesar da gente sempre falar sobre tudo, apesar da gente ter uma relação tão de amigas. Mas não pensa que eu não vi, naquele dia, há muito tempo, você pegando o meu diário, embaixo da minha cama, e lendo exatamente o que eu tinha escrito na noite anterior. Pois é, eu não estava dormindo. Nunca passou pela minha cabeça que você lesse meus diários às escondidas. Você me respeitava tanto. Na hora, até fiquei um pouquinho decepcionada, mas no fundo, achei bom. Assim você ficava sabendo de tudo e eu não precisava te contar.
Você nunca me proibiu de fazer nada – a não ser pular de pára-quedas, claro. Nunca me obrigou a nada, me convencia com jeitinho “coloca só um pouquinho, mistura no arroz e no feijão, você vai ver que é uma delícia” Quando eu era pequena, achava o máximo poder me vestir do jeito que eu quisesse, enquanto a maioria das minhas amigas vestia as roupas que as mães delas escolhiam. Você sempre me deu liberdade pra fazer minhas próprias escolhas, me orientava, me mostrava os três lados da mesma moeda, mas nunca interferiu nas minhas decisões. Foi assim, na segunda série, quando eu decidi que não iria fazer o curso de inglês. Foi assim, quando eu decidi com cinco anos de idade, que eu não queria ficar mais na casa da minha avó pra você e pro meu pai trabalharem, queria ficar sozinha em casa, foi assim quando eu disse que não queria festa de 15 anos, mesmo sendo o seu maior sonho.
Você foi e é tão boa pra mim. Cometeu muitos erros, mas todos (até o pior deles) foi por me amar muito, eu sei. Você abriu mão de tantas coisas por minha causa, se dedicou tanto todos os dias da sua vida. Eu não mereço tanto e nem sou capaz de retribuir tudo o que você fez por mim. Tudo que eu sou hoje, sou graças a você, se cheguei até aqui foi porque você lutou pra isso. Te quero bem pertinho sempre. Te quero cuidando de mim sempre. Você é o meu esteio, meu ombro, meu colo, minha sorte, meu maior exemplo - se eu for metade da mulher que você é, serei muito - minha amiga, minha irmã, minha heroína, meu maior amor, minha paz, meu tudo, minha mãe. Te amo muito!
“Você me abre seus braços
E a gente faz um país”
19.4.08
De noite na chuva
Mais do que nunca, desejava que o tempo passasse e a levasse embora dali. Antes que ela parasse de ouvir a música, antes que o dia amanhecesse mais uma vez, antes que ela mesma fechasse todas as suas portas e janelas para sempre.
Não queria mais olhar dentro de olhos frios, não queria mais abraços vazios. Não queria mais tentar acreditar na cumplicidade forjada que jamais houvera.
Estava sempre a olhar para os outros. A procurar neles o que gritava dentro de si e ela jamais percebera.
E de repente as pessoas eram-lhe tão repugnantes. A humanidade passou a doer
Chovia.
Já era tarde, mas mesmo assim, quis sair. Sequer escutou o barulho da porta batendo às suas costas. Andou por ruas escuras e desertas como se fossem três da tarde. A chuva dentro de si era tão forte quanto a que caía do lado de fora. O frio doía-lhe os ossos. Apenas os seus pés estavam secos. Bem que sua mãe dissera que aquelas botas eram ideais para sair na chuva.
Seria ótimo uma garrafa de qualquer coisa alcoólica à sua mão ou, quem sabe, um cigarro. A chuva já havia parado de cair. Seria ótimo as mãos dele junto às suas. Ah, quantas vezes percorreram, com os dedos entrelaçados, bem forte, este mesmo caminho que ela agora fazia sozinha?! Saudade. Nunca soube lhe dar muito bem com esse sentimento.
E o amor, o que era? Um mito? Uma mentira que lhe contaram? Ou será que apenas esqueceram-se de falar que nem todos são fortes o suficiente para resistirem as distancias?
Ninguém poderia dizer que o que sentiram um pelo outro não era amor. O fato é que, mesmo ela, (já) não era mais aquela garota de olhos enternecidos que se apaixonara. Aliás, ela agora não era nada. Não era de ninguém, não era de lugar nenhum. Não passava de amontoado de possibilidades, de um amontoado de ses. Nada fazia sentido. Somente subir, se livrar daquela roupa molhada e dormir, já que estava à porta de casa novamente. Dormir era, realmente, uma boa maneira de escapar de tudo, ao menos por algumas horas.
15.4.08
Lelé (parte 2)
*Não deixem de ler a parte 1*
Olhei a paisagem que havia para além da fazenda. Era igual a de todo o resto do lugar. Verde e calma, com alguns pedaços de floresta isolados, que ainda não haviam virado pasto, sobre os montes. O céu estava azul de ofuscar a vista. Uma vaca levantou o rabo derramando uma cachoeira de capim ruminado. “Ê vaca!” Disse ele afastando-se rapidamente. A sua voz era fina, entretanto ele falava como um homem. “Pensava, agia e vivia como um”.
Às vezes, também olhava como um.
Perguntei se ele tinha irmãos. “Comigo são seis”. “Você é o mais velho?” “Não...”
Depois disso, não sei como a conversa chegou aonde chegou. Fiz apenas essas duas perguntas e quando dei por mim o garoto tinhas as mãos no meu coração e cada vez que falava apertava-o com mais força. Só me lembro de suas frases dispersas pesando sobre minha cabeça.
“Ela não era muito boa da cabeça” “O pai também se suicidou, mas eu não sei dizer como” “Ficou só a gente”. “O pai, quando eu tinha 11”. Ele falava com uma naturalidade assustadora. Não havia nem um pingo de emoção na sua voz. "Ela tocou fogo no corpo" “O pai que cuidava da gente”. “Quando a mãe morreu, eu tava com 13 anos”.
Eu já conhecia a história triste do garoto, mas ouvi-la de sua própria boca acabou comigo. Eu me perguntava qual fora a última vez que ele recebera um abraço carinhoso, um colo. Apesar de aparentemente esperto, eu o via tão indefeso diante de tudo. Tão sozinho no mundo, tão sem amor. Quem ele tinha de verdade? O que ele sentia cada vez que lembrava que seu pai e sua mãe se suicidaram? Embora parecesse alheio à sua própria condição será que era mesmo? Voltei pra casa destruída e pensativa . Inútil dizer que depois desse dia nunca mais me limitei à cerca. Nem mesmo de manhã. Assim que acordava, me arrumava e ia em direção ao curral da fazenda vizinha. Levava duas canecas cheias até a metade de café e também bolo e pão. Levava bastante para o caso dos Torrémo estarem lá. Ele enchia as canecas de leite e nós tomávamos o café da manhã. Depois ficávamos lá. Conversávamos horas e horas. Eu amava ouvi-lo. Ele também perguntava sobre mim, o que na maioria das vezes me deixava constrangida. Incomodáva-me profundamente dizer a ele que eu só estudava, que eu morava com o meu pai e com a minha mãe. Em alguns dias eu notava que ele não queria conversar. Então ficávamos os dois ali, quietos.
Ele almoçava lá mesmo e eu ia
Contudo eu não podia ficar lá para sempre. A cada dia, a hora de voltar estava mais perto. Eu só pensava em como seria deixá-lo depois de tudo. Talvez eu tivesse errado em me aproximar tanto. Certa vez, com uma ingenuidade que me apunhalou a alma pediu para que eu ficasse. “Fica, sô! Pelo menos mais uma semana...” Pra ele era tão simples. E talvez devesse ser, já que eu o amei tanto. Será que amei mesmo? Ou será que tudo não passou de um encantamento fugaz misturado a pena por alguém que tinha uma vida tão triste e tão diferente da minha? Eu não queria deixá-lo. Eu queria ser tudo pra ele. Mas mesmo assim eu voltei. Despedir-me dele foi o mais difícil de tudo.
continua...
Acho que to acabando ...Depois vou revisar tudo e postar de novo tudo junto.
12.4.08
Sobre o texto abaixo
Eu ainda não terminei, mas como sou muuuuito ansiosa pra postar, resolvi colocar ele aqui assim mesmo. Não reparem no excesso ou na falta de vírgulas. Também é a primeira vez que eu me manifesto aqui no blog, sem ser através dos textos, obvio...Nunca fui muito a favor de fazer isso, mas hj me deu vontade então... Bem, é isso. Beijos!
Lelé (parte 1)
Todo mundo o chamava pelo apelido de Lelé. Mas o seu nome mesmo ninguém sabia. Trabalhava numa fazenda bem próxima a casa do meu avô. Cuidava de vacas. Bem cedo, buscava os animais no pasto e no fim do dia, os levava de volta. Também tirava leite. A ordenha era feita de manhã e a tarde. Eram nessas horas que eu me punha, como quem nada queria, sentada na cerca que separava os terrenos e dali, ficava a observá-lo. Ele passava a maior parte do tempo de costas para a cerca, mas sempre sabia quando eu chegava. Volta e meia seus olhos espreitavam-me por debaixo da aba do boné.
Vez ou outra, um amigo seu aparecia e os dois ficavam conversando. Às vezes ele o ajudava no serviço. Também sabia tirar leite. Lá, se começava a trabalhar cedo demais e não havia muito interesse
Esse amigo chamava-se Jonas. Tinha o sorriso e os olhos mais doces que já vi na vida. Era muito tímido. Apenas a minha presença ali, a alguns metros, era suficiente para deixá-lo constrangido. Com mais freqüência, apareciam os “Torrémo” Dois irmãos que assim eram chamados por serem mulatos. Torrémo 1 e Torrémo2. Tinham oito e onze anos, mas aparentavam ter seis e nove. Lelé gostava dos dois meninos mais do que imaginava. Eles o faziam companhia.
Em uma noite, antes de dormir, decidi que no dia seguinte falaria com ele. Pela manhã fiz como sempre. Muitas pessoas nesse horário circulavam pela fazenda e na casa do meu avô. Também não era raro o dono das vacas aparecer para ver como estava tudo. À tarde seria melhor.
Por volta das quatro horas lá estava eu, não mais sentada na cerca e sim bem atrás dele. Ele já havia me notado ali. Estava tirando leite e por várias vezes virou a cabeça para me ver, agora já sem medo ou vergonha. Apesar da blusa larga que usava, de perto, se podia ver seus músculos, bem desenvolvidos para o seu porte, ali embaixo, contraindo e relaxando conforme ele apertava, com mãos hábeis, os peitos da vaca Quando acabou, foi despejar o leite em uma lata maior que ficava em um canto do curral. Ria de nervoso e também de um jeito debochado. No mínimo me achava louca por ficar horas e horas olhando para ele. Sem me encarar dessa vez, mas de um jeito simpático, perguntou: "Tudo bão?" Sorrindo eu disse que sim. Em seguida um silêncio que era só silencioso se pôs entre nós.
5.4.08
Uma escuridão paira sorrateiramente sobre a cidade.
As luzes são acesas uma a uma.
As estrelas, a lua.
O céu brilhante.
Fecha os olhos e respira.
Sente a brisa fresca da noite, carinhosa, na sua pele.
Você pode ouvir a música?
28.3.08
(...)
Não tenho vontade de nada, não há filme, livro ou música que me satisfaça e minha inspiração já não existe mais. Dia e noite o meu desejo é o silêncio do teu colo, olhar fundo nos teus olhos calmos, tocar o teu sorriso. Não raramente, me pego tendo contigo conversas imaginárias. Verdadeiros monólogos sobre meus dias insanos. Finjo que estás a escutar-me. Mas tu sequer estás. Tu não estás mais.
Tudo acabou em meio às palavras não ditas, nas mãos que se soltaram ao longo do caminho, no encanto que se perdeu pelos dias...Tu não estás. Não está uma parte de mim. Uma parte inteira de mim. E o que restou , sem ti, morre um pouquinho a cada dia.
21.3.08
Chuva + Ryan Adams
Eu penso em você. Em como seria bom estar na chuva com você. Sentir o gosto da chuva na sua boca. Uma ilusão descarada insiste em me fazer acreditar que você pode aparecer na minha frente a qualquer hora. Eu te abraçaria uma eternidade e nós dançaríamos e brincaríamos na chuva, felizes. Mas aí eu caio em mim.
Então, eu paro de correr porque eu sei que você não vai estar na próxima esquina e nem na outra. As gotas de chuva que me molham a face não são suficientes pra esconder a minha decepção escorrendo em lágrimas dos meus olhos tristes e tão cinzentos quanto o céu que se dissolve. E agora só me resta a certeza da tua ausência e a dor que isso me causa.
13.2.08
...
O seu nome ninguém sabia.
Pai e mãe ele não tinha.
Morava com seus cinco irmãos.
Não era o mais novo, nem o mais velho.
Parecia um menino,
Mas já era um homem.
Pensava, agia e vivia como um.
Apesar da baixa estatura, era forte.
Tinhas as mãos calejadas e o coração também.
Trabalhava duro.
E já sofrera muito.
(MUITO)
Ele gostava de falar.
(E eu amava ouvi-lo)
Quando ele sorria, eu tinha vontade de chorar.
E me perguntava: como?
Eu queria fazê-lo esquecer tudo.
Eu queria lhe dar todo amor do mundo.
Todo o mundo.
Mas isso, isso ainda seria pouco.
A ele, com todo o meu amor.
20.1.08
Prosa
E eu te pergunto: Se pudesses controlar teu coração, acaso escolherias amar quem te ama?
12.1.08
Do dia em que não apaguei a luz
24.12.07
21.12.07
O céu gotejante se desmancha sobre a cabeça de uma menina. Enquanto caminha, ela se lembra de sua casa. Da convivência feliz que abandonou a troco de que ela nem se lembra mais. Os pingos parecem passar direto por ela. Um amontoado de coisas, pessoas, sorrisos, palavras, estrelas impedem que o céu chegue até ela. A menina quer voltar pra casa. A menina quer a chuva. Sua pele agora é um enorme vazio a espera da chuva. Ela está cansada. Suas pernas doem, seus braços doem, sua cabeça, suas costas, seus olhos. Ela só quer a chuva a passear pelo seu corpo, a murmurar em seus ouvidos o que se vê da beirada do mundo. Ela só quer voltar pra casa.
13.12.07
Constatação - IV
Algumas coisas parecem só com alguma coisa,
Mas acabam sendo de diversas formas diferentes.
Porém não o que estou sentindo.
Porque isso parece e é uma coisa só.
E é o que não pode ser.
12.12.07
...
Vai, borboleta, voa.
Sai deste casulo e voa
O infinito azul te espera
A imensidão das flores anseia por ti.
O mundo deseja ver tuas cores.
A liberdade te chama.
Encha a Terra com tua beleza.
Vai, borboleta, voa.
Liberta tuas asas e voa.
Voa sem destino.
Voa para sempre.
Voa.
7.12.07
4.12.07
Constatação - III
3.12.07
Primeiro round
Livros são ótimos esconderijos. Às vezes, no ônibus, ela se esconde atrás de livros abertos, evitando encarar possíveis conhecidos.
Ela também gosta do silêncio, gosta de ficar só.
Em si.
Hoje foi um desses dias.
O papel deslizou das suas mãos caindo sobre a mesa, fazendo um barulho estrondoso. Um som de sepultura. Agora ele estava aliviado. Havia se livrado daquilo. Em algum lugar ela notou isso. Talvez na forma como lhe entregara o papel. Rapidamente. Sem encará-la. Ou talvez tenha sido ela. Ela que não foi capaz de olhar em seus olhos. Via apenas o papel em sua frente. O papel e um número riscado
O número.
O número saltou da folha agarrando-se ao seu pescoço. Um soco no estômago. Dezenas de bofetadas na cara. Seus olhos tinham se arroxeado. Cortes se abriram e uma série de ferimentos aflorou à superfície de sua pele. Havia sangue a lhe escorrer do nariz e emplastar-lhe os lábios.
Ela sentiu uma vontade enorme de chorar. Como há muito tempo não sentia. Não chorou. Nesse momento, percebeu o quanto era orgulhosa. Se alguém reparasse, notaria o seu nariz vermelho e as lágrimas aprisionadas em seus olhos, impedidas de rolarem. Ela se lembrou da garota que chorava sempre que queria e sabia que deveria fazer como ela. Mas não conseguiu embora ninguém olhasse.
Sentiu-se só. Irremediavelmente só. Entendeu que em alguns momentos não haveria mesmo ninguém. Esses seriam os piores.
Mais do nunca desejou que um deles estivesse ali. Para sussurrar os soluços dela em seus ouvidos e molhar toda a sua camisa com suas lágrimas. Para desabar cansada em seus braços. Porém nenhum deles estava. (Eles não tinham culpa).
Definitivamente, este não era um bom momento.
Ela começou a imaginar.
1, 2, 3... O árbitro contava. As luzes haviam abaixado. Um holofote a iluminava. Ali. Caída no chão, ensangüentada. Tudo estava cinza agora. Somente o seu calção verde esperança se destacava. O salão cheirava a cigarro e cerveja. A multidão se alvoroçava. Aos poucos ela se ergueu. Não. A luta ainda não havia terminado. Era só o fim do primeiro round. Em breve o gongo soaria de novo.
Naquela manhã, ela foi embora para casa se escondendo atrás de um livro e ao chegar, finalmente chorou. Chorou e adormeceu.
30.11.07
Esperança
Inicia-se então uma grande guerra.
Uma grande guerra pela minha vida.
Eu sigo o meu caminho
A passos tortos e cambaleantes.
Toda sorte de maldade me rodeia.
O céu em chamas se despedaça sobre a cidade.
Sem direção eu prossigo.
Carrego apenas o peso da culpa,
O peso do sangue inocente.
Tento voltar ao inicio.
Eles estão atrás de mim.
É a mim que eles querem.
Querem me tragar
Querem ceifar-me vida a todo custo.
O medo corrói cada fibra da minha carne fraca.
Grito!
Mas não há nada que possam fazer.
Está em minhas mãos.
E quando tudo terminar,
Não haverá nem perdedores,
Nem vencedores
Apenas eu!
Viva ou morta.
Mas eu sei que vou me salvar
Sim, eu sei.
No último segundo eu vou me salvar..
29.11.07
A ele
Ele é do tipo andarilho
Que caminha por aí sem rumo
Para onde o vento sopra
Ele é do tipo sensível
Que vê através de você
Que sabe exatamente aquilo
Que você pensa e sente
É do tipo sábio
Que te ensina coisas sobre o mundo e as pessoas
Coisas sobre a vida, sobre o amor
Ele é do tipo único
Que é por si só
Ele é do tipo que é
É do tipo inesquecível
Que marca a sua vida para sempre
Que você vai querer para sempre
Mas como eu disse
Ele é um andarilho
É do tipo que passa
É do tipo que não fica por muito tempo
Ele marca e vai embora
Deixando apenas o seu rastro
Na sua vida
Em você.
28.11.07
Quê?
A tarde caía aos pedaços enquanto palavras escorriam pelas pontas dos meus dedos. Enquanto lágrimas escorriam insistentemente pelo meu rosto. Involuntariamente. As palavras. Começam como uma goteira, com um pingar incessante e atormentador. Elas vão ganhando força e quando dou por mim, há uma verdadeira tempestade de palavras inundando toda a minha vida, tudo em volta, toda a terra.
Mas agora tem um elefante na minha cabeça. Um elefante, um menino com nome (e rosto) de anjo e mais algumas preocupações típicas de uma psicopata, que não é uma psicopata qualquer, é uma psicopata adorável.
Gostaria de estar nervosa. Gostaria de saber por onde anda meu desespero, porque aqui, comigo, ele não está. Definitivamente. Às vezes, um pouquinho de desespero faz bem. Doses exageradas não são recomendadas, mas a falta dele pode ser letal. De qualquer forma, o que me move hoje é a esperança (apesar do elefante, do menino e das preocupações), hoje sou toda esperança, meu nome é esperança.
Muito prazer.
Você já olhou para o céu hoje? Já viu a lua, sorrindo para você? Já me notou sorrindo para você desde que você chegou? Sabe, eu já percebi que as pessoas são pouco observadoras. Já eu, acho que perco ótimas oportunidades de olhar para mim. Não veja isso como um comentário narcisista. É que a minha paixão pelo outro, minha paixão por você, me faz querer olhar para o lado, olhar dentro dos olhos, mais do que eu deveria, mais do que você gostaria.
Eu gosto de gente. Gosto de estar rodeada de gente, de poder olhar para as gentes o quanto eu quiser, e claro, amar toda a gente. Não faço o estilo “defensora dos animais”, mas gosto deles também. Especialmente de gatos e borboletas. Odeio dias quentes e ensolarados, mas descobri que gosto do sol. Do céu azul. Que gosto deve ter o céu? Como deve ser tocar o céu, pegar um pedaço do céu, fazer uma bolinha com ele?
Vida, vida, vida. Eu também gosto da vida e poderia falar dela, mas isso aqui já está ficando tosco demais. Melhor parar.
25.11.07
21.11.07
O Cordão de Bolinhas II ( Os outros cordões)
Depois de consertar um cordão, a menina deu por falta de outros, tão valiosos quanto o primeiro. Ela teria trabalho. Eram muitas bolinhas para juntar, separar, colocar cada qual no seu devido cordão e remendar tudo. Ela não estava disposta, mas queria seus cordões de volta. Ah sim ... Isso era tudo que ela mais queria.
19.11.07
O Cordão de Bolinhas
Um cordão de bolinhas arrebentado e todas elas esparramadas pelo chão. Todas elas ali, naquele cômodo, mas sem o fio que as mantinha unidas.
Sim. Em algum momento o fio arrebentara.
Ela não tinha mais o seu cordão.
Agora a menina lembrava. Os passeios de bicicleta com pipoca na volta, os sucos de caju de madrugada, as músicas gravadas em fita para ela escutar, as que ele cantava para ela, ela dançando sobre seus pés. Ah, ele adorava pegá-la para dançar. Como se esquecera de todos esses momentos? No fundo, no fundo a menina sempre soube que o amava, porém ultimamente não sentia mais esse amor. Ela procurava dentro de si, mas por mais que se esforçasse não encontrava. Ela não queria que fosse assim, não pensou que fosse ser assim.
Ela se lembrava dele dizendo que a amava.
---Minha filha, papai te ama!
Ele dizia isso e suspirava um suspiro pesado e seus olhos se enchiam de lágrimas. Depois ele a apertava contra o peito, afagando-lhe os cabelos. Ela ouvia o seu coração bater.
Mas tanto amor se perdeu no tempo. Feito as bolinhas do cordão arrebentado. Como eu já disse, ela sempre soube que amava o pai, apenas não sentia esse amor e tinha consciência disso tudo. Mas ela agia como se não se importasse. Ela não gostava dele, não precisava dele e ponto final. Mas como eu também já disse, ela gostaria que fosse diferente.
Ele quase foi embora algumas vezes.
Ele quase foi embora de vez algumas vezes também.
E ela agia como se não se importasse.
Contudo, um dia, eu não saberia explicar como, a menina se deu conta desse amor. Ele estava muito vivo agora. Ele vivia em seu coração, em cada célula do seu corpo. Ela não podia negar. Nada havia mudado, ela apenas sentia o amor de novo e o sentia muito forte, como nunca sentira antes. Agora ela se lembrava daqueles dias felizes, daqueles dias de amor e diante do espelho, ela amarrava, com um nozinho, o seu cordão de bolinhas.
18.11.07
Pensamentos..II
Hoje faltou um amor
Faltou um colo com cafuné
Faltou um “eu te amo”
Faltou você
Que eu nem sei quem é.
(Mas faltou mesmo assim)
17.11.07
11.11.07
Chuva Sagrada
Os olhos deles me rasgam de dentro para fora.
A minha vida se vai, escorrendo em gotas de sangue,
Diluindo-se em meio a água da chuva que cai,
Descendo pelos bueiros da cidade.
Morrendo.
Eu já estou há tanto tempo ali.
Uma flor caída no chão.
Eu caindo no buraco sem fim.
A rua está vazia.
Quando a flor não puder mais resistir
Ela também será levada pelas águas dessa chuva.
Então serei apenas eu estirada no asfalto.
Caindo no buraco sem fim.
Tingindo o mundo de vermelho
Em espasmos de insanidade.
Eu choro.
Eu vejo tudo daqui de cima e choro.
Choro a chuva sagrada que dilui a minha vida.
A chuva sagrada que a leva pelos bueiros da cidade.
A chuva sagrada que arrastará a flor.
9.11.07
Metade preferida
Ela gosta apenas de uma metade do rosto
Da outra metade não.
Do sorriso dela
Do nariz
Mas do rosto como um todo
ela gosta só de uma metade
Da outra metade não.
7.11.07
Proporcionalidade Direta
Quero sair pra jantar,
dançar até não poder mais
e voltar pra casa com as sandálias nas mãos.
Escrever uma poesia de amor,
dormir,
sonhar.
Quero a luminosidade do meu computador nos meus olhos.
Ouvir o crec crec do teclado regido pelo bater frenético dos meus dedos nervosos.
Quero tomar banho de chuva.
Ficar duas horas no telefone,
três embaixo do chuveiro.
Comer pipoca e ver filme com os meus amigos.
Quero voltar a ser criança,
brincar de boneca como antes.
Quero andar de bicicleta com meu pai,
fazer compras com a minha mãe.
Eu quero um irmão
para amar,
brigar,
defender,
irritar,
fazer de escravo,
sentir saudade,
conversar.
Quero me perder de novo naquelas tardes de janeiro.
De novo em seus olhos,
de novo em você.
Ouvir o som do seu violão,
do seu coração quando eu encosto a minha cabeça no seu peito.
Mas agora eu não posso.
Tenho que estudar Matemática.
Dor
Dor.
É isso que estou sentindo. Estou com aquele aperto no peito e aquele nó na garganta. Forço meus dentes uns contra os outros na frágil tentativa de engolir o choro. Inútil. As primeiras lágrimas escapam dos meus olhos e em poucos segundos várias delas caem pelo meu rosto já enrubescido. Confundem-se com a coriza que escorre das minhas narinas, misturam-se a minha saliva deixando um gosto salgado na boca, vão indo pelo meu pescoço até quase alcançarem meus seios.
Apesar do cansaço imenso, deitar e dormir não é tão simples. Eu fico tentando montar o quebra-cabeça da minha vida, tentando entender. Todas as noites têm sido assim. Eu, meus pensamentos, minhas dores, angústias e o meu travesseiro. E é como se nada mais existisse. Ninguém pode me ver ou escutar. Nem mesmo as paredes do meu quarto, porque elas, ao contrário das demais, não têm ouvidos. São apenas paredes. Frias e alheias.
Choro compulsivamente. Os soluços atropelam-se uns nos outros, me deixando quase sem ar nenhum, explodindo em gritos sufocados de tristeza, em mais choro, em mais lágrimas. Eu rolo de um lado para o outro, me debato, soco a cama, esperneio. É uma dor tão grande, tão grande. Estou completamente fora de mim. Alucinada. Eu quero arrancar meu coração, quero arrancar do meu peito essa dor, mas ela não passa. As horas passam. As lágrimas passam. Passam para dar lugar a outras lágrimas que passam para dar lugar a outras. Mais horas passam. O choro passa para dar lugar ao sono. Mas a dor, a dor não passa.
6.11.07
Pensamentos...I
É tempo de calar, silenciar.
É tempo de ler, de ouvir, sentir.
É tempo de pensar e esperar.
Esperar que as palavras venham.
Para escrevê-las nas pessoas com tintas que mancham.
5.11.07
A Busca
Busco a palavra insana, que denuncie minha loucura.
Quero o verso de Drummond, Patativa e Neruda
E fazer da minha incoerência poesia,
Da minha caduquice arte.

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